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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Penélope Charmosa em defesa das crianças

Caro leitores do Blog "Reflexão todos os dias" estamos chegando perto dos dia das crianças e quero compartilhar com vocês um texto bastante reflexivo da Profª Cristiane Borges. Ela deixa a formalidade acadêmica de lado e escreve de uma forma totalmente clara para vocês leitores do blog. Boa leitura!

POR: CRISTIANE BORGES

Oi gente!

Achei muito legal esse lance da gente trocar a fotinha de nosso perfil no face, para uma personagem q nos trouxesse lembranças da infância, em protesto à violência contra crianças... Eu, como adoro a Penélope Charmosa, prontamente aderi...

Mas eu acho que, para além de trocar a foto do perfil, a gente deve aprofundar um pouco as reflexões sobre esse tema... Assistimos, cotidianamente, na mídia de uma forma geral e próximos a nós mesmos, cenas estarrecedoras de violência contra crianças... Violência física, sexual e moral... Esta última muitas vezes velada!!!

Um dia desses aconteceu um lance comigo muito trash... Eu estava dentro de meu carro, em um semáforo, e um menininho, com uns 7/8 anos, me pediu dinheiro... Eu me recuso a dar dinheiro a essas crianças pedintes, porque a gente sabe qual é o destino, né? Eu dou comida, dou brinquedo, dou roupa, mas dinheiro não!!! Pois bem, esse menino, diante da minha negativa, começou a fazer gestos obscenos para mim... No primeiro momento eu fiquei chocada, vendo aquele pirralhinho fazendo aquele monte de coisa com a mão, com a boca, etc... Depois, cai na real, e fiquei muito, mas muito triste, pensando no tipo de violência que aquela criaturinha já havia passado, nos poucos anos de sua vida, pra reagir daquela forma nesse evento.

Eu acho q isso é reflexo de uma sociedade doente, que perdeu totalmente os seus valores... Ontem eu estava discutindo isso com meus alunos de Estágio... Um dos alunos fez uma comparação entre a sociedade americana e japonesa... Resumidamente, meu aluno disse que o que motiva os americanos a estudar é a competitividade, já os japoneses são motivados por uma satisfação pessoal... Para além da dualidade oriente/ocidente, a nossa reflexão nos levou a concluir que, independente dos motivos, ambos encaram com seriedade a questão do estudo... Mas e aqui??? Qual a motivação??? Ouvimos seguidamente relatos de professores que ouvem de seus alunos que estudar não leva a nada, que é melhor ser traficante, prostituta, bandido... No fundo são crianças que estão sendo “violentadas cotidianamente”... São crianças que carecem de uma base familiar... São crianças que sofrem discriminação... São crianças q estão pedindo socorro!!! E muitas vezes a gente não consegue identificar esse pedido.

Mas isso não é um fato que acontece somente nas camadas populares, não!!! Eu já vi muito “filhinho de papai” com atitudes horrendas... E a minha leitura era a mesma: o que essa criança deve passar em casa, pra agir dessa forma???

Isso tem a ver com a complexidade inerente ao ser humano... Muitas vezes as nossas ações são fruto daquilo q está entalado em nossas gargantas, mas que não conseguimos expressar verbalmente... Nós, que temos o privilégio de trabalhar com gente, como o “humano”, devemos nos “humanizar” e tentar ler essas entrelinhas.

Bem... Pra finalizar minha reflexão vou utilizar um chavão muito batido, mas apropriado pro momento: as crianças vão ser o futuro do Brasil... Mas que futuro será esse se a gente assistir de camarote toda essa gama de violência??? Que tipo de “cidadão” vai fazer parte de nossa sociedade no futuro? Será que queremos perpetuar um padrão de pessoas sem ética, sem valores, sem objetivos, frutos de uma infância de violência, nem um pouco salutar???

Vamos pensar sobre isso!!!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

De uma infância esquecida.


Por Lilah Bianchi

Lilah é uma mãe hétero de um filho gay. Ela escreveu esse texto com base no que viveu quando seu filho falou para ela, "Mãe sou gay".

Quem é essa mulher de coragem?
"Sou Lilah Bianchi, 43 anos, professora universitária e escritora amadora. Carioca, mas já morei em Natal, Brasília, Belo Horizonte, Macaé e São Paulo. Atualmente estou perdida em La Paz, Bolívia, congelando nessa cidade onde nunca faz calor. Mãe do Lipe, do Vic, do Lucas e do Sal, que em 2005 escutou do filho “sou gay” e viu o mundo tomar uma virada inesperada. Do susto inicial, passando pelo medo do desconhecido até superar meus próprios preconceitos foi um longo caminho, com muito erros e muitas quedas. Comecei a escrever sobre isso como uma forma de organizar minhas próprias ideias confusas por que não havia ninguém para me ouvir. Hoje eu escrevo para os pais que passam pelo mesmo que eu passei, para os filhos que acabaram de sair do armário e não sabem como isso vai terminar, para os amigos que querem entender. Não sou psicóloga e nem tento ser, escrevo como mãe, a partir da minha experiência como tal. Sou uma mãe hétero de um filho gay, numa história ainda em construção. Se você é pai, mãe, irmão, filho, gay ou hétero, mas tentando entender, então vamos juntos nessa estrada."


De uma infância esquecida

O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. Olha, eu vejo muita gente por aí dizendo: ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem”.

Jair Bolsonaro, Deputado Federal

“Ele é gay. E foge de casa para se drogar, como mãe tenho que fazer o que é melhor para ele”

Cristina Mortágua, tentando justificar agressões ao filho de 16 anos


O tema é complexo. Sensível para alguns. Tabu para muitos. Mas gays não nascem aos 18 anos. Não fazem uma escolha consciente quando chegam a idade legal de consentimento. Eu acredito que gays nascem gays. E a ciência em grande parte concorda comigo. E assim como a sexualidade hétero não aflora aos 18 anos, a sexualidade gay também não. E quando eu falo de sexualidade que fique claro que não falo de atos sexuais, mas de tudo que a envolve: a descoberta do corpo, as brincadeiras, atração, identidade de gênero e etc.

E é nesse período de descoberta que os primeiros conflitos familiares costumam surgir. O menino afeminado que se recusa a jogar futebol, a menina que foge para andar com meninos e não quer usar o vestido, as reclamações da escola porque ele não se encaixa, os comentários maliciosos dos amigos e parentes, as cobranças. E não raro, explodem em violência física e psicológica.

O caso Mortágua (leia sobre o caso aqui) não é, infelizmente, uma exceção. Meninos e meninas homossexuais são oprimidos todos os dias, agredidos muitas vezes sem nem saber porque. Lembro de uma cena que assisti num shopping alguns anos atrás. Um menino de talvez 3 ou 4 anos no máximo, estava brincando na área de lazer e se aproximou de duas garotinhas que ninavam bonecas. Ele pegou uma das bonecas que estava no carrinho e imitou as meninas, ninando. Minutos depois, um homem visivelmente irritado, provavelmente o pai do menino, se aproximou, agarrou a boneca e arrancou dos braços do menino com violência. O menino, assustado, começou a chorar e ainda levou uma palmada por estar “fazendo escândalo”. Esse garotinho, do alto dos seus 3 anos, não tinha nem ideia do que havia feito de tão errado para ser repreendido dessa forma.

Com o passar do tempo, aos 10 ou 12 anos, quando a descoberta da sexualidade se impõe para héteros e homossexuais, esses conflitos podem ter tornado impossível a convivência. Na maioria das vezes, esses adolescentes vão fazer suas descobertas envoltas em muito medo e repulsa. Foram ensinados, desde muito pequenos, que existe algo errado em ser como são. Tiveram sua auto estima destruída por seguidas punições que não conseguiam nem entender a causa. Essa repulsa pode ficar tão grande e complexa que muitos vão levar anos para se aceitar, vivendo relações vazias, se auto sabotando ou mesmo caindo no abuso de alcool e drogas.

As pessoas nascem gays ou nascem hétero (ou bi) e não tem sobre isso qualquer responsabilidade ou culpa. Não existe nenhuma educação profilática que possa “extirpar” isso da personalidade delas. Ao agredir um filho, física ou psicologicamente, por que ele é gay, você não está resolvendo nada, mas comunicando a ele que existe algo errado com quem ele é. E essa traição do amor que deveria ser incondicional é uma ferida que dificilmente se fecha, as marcas de uma infância violenta e do abuso são cicatrizes que podem influenciar todas as escolhas que essa criança fará, quando for um adulto. O abuso ensina que não se pode confiar em ninguém. E essa é uma lição difícil de ser esquecida.

*Na foto, Lucas, meu filho, com 2 anos de idade. Ele segura o robe de veludo vermelho da avó. Ele tinha uma atração absurda por esse robe e aos 4 anos eu o peguei desfilando com ele, mas não tiramos fotos.

Fonte : Pará Diversidade http://paradiversidade.com.br/2010/?p=1729

sábado, 26 de março de 2011

Declaração dos direitos da criança



1º Principio

Todas as crianças são credoras deste direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua,religião, condição social ou nacionalidade, quer sua ou de sua família.

2º Princípio

A criança tem o direito de ser compreendida e protegida, e deve ter oportunidade para seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade. As leis devem levar em conta os melhores interesses da criança.

3º Princípio

Toda Criança tem direito a um nome e a uma nacionalidade

4º Princípio

A Criança tem direito a crescer e criar-se com saúde, alimentação, habitação, recreação e assistência médica adequada, e à mãe devem ser proporcionados cuidados e proteção especiais, incluindo cuidados médicos antes e depois do parto.

5º Princípio

A criança incapacitada física ou mentalmente tem direito à educação e cuidados especiais.

6º Princípio

A Criança tem direito ao amor e à compreensão, e deve crescer , sempre que possível, sob a proteção dos pais, num ambiente de afeto e de segurança moral e material para desenvolver a sua personalidade. A sociedade e as autoridades públicas devem propiciar cuidados especiais às crianças sem família e àquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outras natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.

7º Princípio

A criança tem direito à educação, para desenvolver as suas aptidões, sua capacidade para emitir juízo , seus sentimentos, e seu senso de responsabilidade moral e social. OS melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar,aos pais. A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmo da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.

8º Princípio

A criança , em quaisquer circunstância, deve estar entre os primeiros a receber proteção e socorro.

9º Princípio

A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligencia, abandono, crueldade e exploração. Não deve trabalhar quando isto atrapalhar a sua educação, o seu desenvolvimento e a sua saúde mental ou moral.

10º Principio

A criança deve ser criada num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência de que seu esforço e aptidão devem ser opostos a serviço de seus semelhantes.




Em resumo, as Crianças tem muitos direitos e bom que fique bem claro a todos os que são responsáveis por elas, que lugar de Criança é na escola, na rua brincando com os colegas, em fim, em um ambiente sadio e cheio de felicidade.lembre-se que a criança de hoje será o adulto de amanhã. Acredito que queremos adultos responsáveis e gestor de sua vida, e para isso, é necessário muito carinho e amor para com as crianças.

Jânio Elpídio de Medeiros.