Vivo em crise por refletir sobre tudo, então esse blog serve para compartilhar minhas reflexões a respeito da vida.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Quando uma mãe descobre que o filho é gay...
Lucas é o terceiro, filho do segundo casamento, fruto de uma gravidez difícil e muito desejada. Foi, desde muito pequeno, uma criança calma, tranquila, que nunca deu nenhuma dor de cabeça. Os irmãos estavam quebrando a casa? Lucas estava no quarto brincando com lego. Os irmãos davam nó no pelo do cachorro e comiam a ração(juro que faziam isso!)? Ele limpava a sujeira e dava bronca nos dois. Era bom aluno, lutava caratê, gostava de jogar videogame e torcia para o Flamengo, como qualquer criança de bom gosto (rsrs). Mas, eu olhava para ele, com 10 ou 12 anos e uma voz me dizia que ele era diferente dos irmãos.
Enquanto o do meio namorava qualquer coisa com saias, o mais velho engatava um namoro longo, eu via Lucas sozinho, cada vez mais e mais isolado. Aos poucos o isolamento virou tristeza. A proximidade que sempre tivemos virou distância. O menino doce ficou agressivo, impaciente, sem tempo para a família e os amigos. O pai colocava tudo na conta da “aborrescência”, mas eu via um pouco mais que isso. E comecei a ter medo.
Que ninguém se engane, não foi um processo simples. Não sou nenhuma mulher maravilha. Tive medo do que iam pensar. Tive medo do que a família ia dizer. Questionei minha própria competência como mãe, me perguntei se havia falhado em alguma coisa, se de alguma forma era minha “culpa”. Ah, mães são especialistas em culpa! Nos culpamos sempre, por tudo e qualquer coisa. Tive dúvidas. Temi pela reação do meu marido, machista como a maioria dos brasileiros, ao descobrir que o único filho homem era gay.
A certeza veio ao descobrir revistas em seu quarto. Toda mãe de adolescente já encontrou playboy embaixo do colchão, muito antes de seus filhos terem idade legal para comprar. Eu encontrei homens nus ao invés de mulheres.
Talvez a melhor coisa que eu tenha feito foi não me sentar e esperar. Eu quis entender. Eu quis estar pronta para o dia que ele me contasse. Mais que isso, eu quis que ele soubesse que eu ouviria, que ele podia contar. Claro que no meio do caminho eu cometi enganos. Exagerei ao pressioná-lo, não muito discretamente, para me contar. Exagerei em livros, filmes, dicas e indiretas. Como ele diz hoje, ele não saiu do armário, eu chutei ele para fora.
Quando ele finalmente contou, não foi o pai que teve problemas, mas o irmão mais velho. Medo que os amigos achassem que ele também “era viado”. Não foi um tempo tranquilo. Nem um que deixou saudades, mas ele aprendeu a respeitar o espaço do irmão e no processo eles se tornaram mais amigos do que eram antes. E aprendeu tão bem, que sua madrinha de casamento é transex. Minha família descobriu sobre diversidade. Meu caçulinha, cresce hoje numa casa onde orientação sexual é só um aspecto da vida e não define nada.
Se você é mãe, pai, irmão... o que eu posso dizer é que aquela pessoa na sua frente dizendo “sou gay” é mesma que você trocou fraldas, ninou, levou para o parquinho. É o mesmo irmão que você jogou bola ou brincou de bonecas. É ainda o mesmo filho que lhe deu beijos melados. O mesmo irmão que dividiu o último biscoito. O mesmo sobrinho que brincou de cavalinho nas suas costas. É ainda a mesma pessoa. E ainda ama você do mesmo jeito.
Eu? Sou mãe de quatro meninos. Um deles, acontece gostar de meninos ao invés de meninas. Um deles é gay. Assim como um deles tem olhos azuis, o outro tem alergia a camarão e o quarto a vida me deu de presente, ao invés de ser gerado por mim. Só do jeito que Deus fez cada um deles. Absolutamente, perfeitos.
texto tirado de : http://www.maedefilhogay.blogspot.com/2010/09/mae-eu-sou-gay.html
OPINIÃO: Precisamos de mães como esta, que soube na sua dor encontrar a melhor forma de amar verdadeiramente seu filho.Espero que as mães,irmãos, tios e demais familiares que tem a oportunidade de ler esse texto, reflita e ajude as pessoas a se amarem. Eu, particularmente tenho uma mãe tão maravilhosa quanto essa. heheh FELIZZZ
sábado, 20 de agosto de 2011
Video: EU não gosto dos meninos
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O beijo
Eddy Souza é aluno do curso de Design da Universidade Federal da Paraíba e uma revelação no mundo do Design. Em uma conversa informal comigo sobre o que fazer para apresentar a disciplina de Estética chegamos a conclusão que o Eddy deveria falar algo relacionado a homossexualidade e como todo artista, mas no caso de Eddy, um artista talentoso,ele resolveu criar uma obra que falasse do beijo homossexual.
O beijo
Por: Eddy Souza
A obra denominada de “ O beijo”manifestou-se da necessidade da exploração da temática homossexual onde, atualmente, esta condição sexual está ligada a noção de uma sexualidade que erroneamente é definida como "contra a natureza" e foi incorporada e acrescida da idéia de pecado. O homossexual então transformou-se em um personagem onde muitos acreditam que nada de seu todo escapa à sexualidade e conseqüentemente o sujeito passou a ser julgado, valorizado, aceito ou rechaçado a partir de sua prática sexual.
O entrelaçamento dos dois símbolos masculinos simboliza todas as orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de gênero divergentes do sexo designado no nascimento. Pintandos de negro para remeter a todo tipo de preconceito, intolerância ou violência, tanto física quanto emocional sofrida por toda essa população e também cor essa que representa á todos os direitos negados á esse conjunto de pessoas ou as restrições a que elas se submetem, como por exemplo, o beijo em público, que apesar de muitos alegarem que essas pessoas possuem tal liberdade, o beijo homossexual em locais coletivos vem acompanhado de olhares recriminadores, expressões de nojo e violências verbais.
Com o objetivo de uma materialização da técnica pontilhista utilizada pelo artista Roy Lichenstein, as miçangas utilizadas na confecção de bijuterias fora empregadas para a representação dessa técnica, já que os pontos encontrados nas obras do artista seriam melhor representados tridimensionalmente com pequenas esferas. Essas miçangas foram pintadas em seis cores distintas: vermelha, laranja, amarela, verde, azul e lilás. A disposição dessas miçangas coloridas foram inspiradas no símbolo do arco-íris, símbolo este que é a marca do movimento LGBT, representando a união das diferenças. A aleatoriedade da disposição dessas miçangas representa as diversas formar de percepção da homossexualidade, aludindo aos grupos sexuais. Essa segmentação além de remeter as obras de Roy Lichenstein também pode ser interpretada como o próprio preconceito entre os coloridos, onde gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros é algo que só quem pertence a algum segmento da sigla LGBT . A maioria dos héterossexuais costuma acreditar que todas as letras se adoram e convivem em perfeita harmonia, como as cores da bandeira do arco-íris, mas, os homossexuais, essa é uma situação quase utópica.
Gays ‘bofinhos’ não gostam de ‘pintosas’, que não gostam de travestis, que não vão com a cara de lésbicas ‘caminhoneiras’, que não se dão bem com bissexuais patricinhas e assim por diante.
A composição dessa obra causa um impacto intrigante a quem a ver, fazendo com que o observador lide com a temática homossexual logo revelada a partir da observação do símbolo da união homossexual localizada no centro da obra, quanto no ilusionismo causado pela segmentação das esferas coloridas ao redor do mesmo, gerando ao observador a idéia de que de longe a a bandeira parece o arco-íris perfeito, onde todas as cores estão em perfeita harmonia, mas que de perto e de outros ângulos, a bandeira esta bem “segmentada” tanto em conteúdo quanto plasticamente.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
A sociedade que vivemos.
pertencessem a uma casta particular e inferior. Temos que sempre lembrar que o Brasil teve e tem suas cores pintadas com a cor da África e que o respeito é à base de uma boa convivência, de uma vida saudável, plena em sua essência.
speito do assunto e questionar determinadas coisas como, por
que homens casados e pais de família vão às boates gays namorar com pessoas de bens que pagam suas dividas, trabalham e são honestos? Esses homens não são pessoas horríveis, eles apenas encontram nos guetos o seu VERDADEIRO lugar, este lugar é sigiloso, pois nem nos pensamentos mais íntimos esses pobres homens têm o direito de sentir seus verdadeiros sentimentos e os guarda a sete chaves dentro do armário empoeirado.quinta-feira, 19 de maio de 2011
Homossexuais amam, com todos os direitos e deveres', diz João Silvério Trevisan
SÃO PAULO - Militante pelos direitos homossexuais desde os anos 70, quando em plena ditadura lançou o jornal Lampião da Esquina e o movimento Somos, o escritor, ensaísta, filósofo e cineasta João Silvério Trevisan conta que sentiu orgulho do com a aceitação da união homoafetiva. Para ele, não há mais como recuar na garantia de direitos homossexuais e o próximo passo é a criação de uma lei que puna a homofobia. Autor de “Devassos no Paraíso” e “Seis Balas num Buraco Só: a Crise do Masculino”, dois estudos sobre a sexualidade no Brasil, João Silvério diz que o 5 de maio é uma celebração do “direito de amar”.
O GLOBO : Qual a importância da decisão do STF?
JOÃO SILVÉRIO TREVISAN : Foi um divisor de águas na democracia brasileira. Fazia muito tempo que eu não tinha orgulho do Brasil. Ontem (quinta-feira), eu tive orgulho do Brasil ao ouvir os ministros falando com uma precisão, que eu não imaginava que existisse neles, sobre a questão democrática. Estamos ou não numa democracia? Se estamos, os direitos são para todos.
O GLOBO : Há uma estimativa do tamanho da comunidade homossexual?
JOÃO SILVÉRIO : Não há uma estimativa justamente por conta da invisibilidade. Ela é imensa e invisível. A bissexualidade brasileira é uma homossexualidade vivida clandestinamente. A quantidade de homens casados que vivem sua homossexualidade clandestinamente é escandalosa e assustadora. Então, a decisão do STF é uma mensagem importantíssima para essa comunidade desconhecida. É a aceitação de que existem homossexuais no Brasil e de que seus direitos não são diferentes dos direitos de nenhum outro cidadão. Mas homens adoram transar entre si e depois vão casar com mulher. É histórico no Brasil.
O GLOBO : E isso deve mudar?
JOÃO SILVÉRIO : Não. O que vai mudar é a ideia de que homens podem se amar entre si e mulheres podem se amar entre si. A união estável faz um reconhecimento de que homossexuais amam. E (a decisão do STF) foi uma lição para o Brasil de que nós, homossexuais, com nossa firmeza e resistência, temos o nosso direito de amar.
O GLOBO :“careta” com essa ideia de casamento?
JOÃO SILVÉRIO : É bem provável que estejamos virando caretas, na medida em que estamos nos atrelando a uma circunstância formalizada pelo Estado. Mas há o bônus, que é a conquista política da igualdade. Não é fácil você estar na rua e ver um mendigo olhando para você e gritando “viado tem tudo é que morrer”. É indescritível a dor que isso provoca. O que leva aquele mendigo a achar que ele é mais importante do que eu?
O GLOBO : A ofensa é maior quando vem de um mendigo?
JOÃO SILVÉRIO : A ofensa é exatamente igual. Mas estou dizendo que a coisa é tão violenta que, até para um pária social, eu estou abaixo dele. É um exemplo emblemático do lugar em que nós estamos: o cocô do cavalo do bandido.
O GLOBO : A união civil vai mudar isso?
JOÃO SILVÉRIO : Vai demorar muito. Celebramos a conquista legal, mas o que tem pela frente é assustador.
O GLOBO : E essa decisão do STF deve beneficiar o projeto de lei de pune a homofobia?
JOÃO SILVÉRIO : Não há mais possibilidade de retorno. Tudo o que acontece no Brasil é em função de um fato consumado e o STF deu agora um fato consumado. Não tem volta. É a armadilha na qual o Judiciário colocou o Legislativo. Nossos políticos estão no piloto automático. É uma classe altamente fisiológica.
O GLOBO : Que país é este que tem a Parada Gay como uma festa nacional, mas, na mesma Avenida Paulista, jovens gays apanham durante a noite?
JOÃO SILVÉRIO : É o país cordial. Não fazemos guerra cara a cara, fazemos por debaixo do pano. É a hipocrisia que nós vivemos. A cultura do Brasil é carnavalizada. É a cultura da máscara. Usamos a máscara para o bem e para o mal. Tem o lado bom, que é o bom humor, a esculhambação, a criatividade extraordinária e o afeto. E tem o jeitinho, que é a parte da sombra da cultura brasileira. É o jeitinho de não deixar as coisas claras. A falsa bissexualidade brasileira faz parte dessa máscara.
O GLOBO : O senhor fundou o primeiro movimento homossexual, o Somos, e o Lampião. Como vê o movimento LGBT hoje?
JOÃO SILVÉRIO : Tenho severas críticas ao movimento homossexual desde o começo. É um movimento de elite; e o que se conseguiu foi num nível de lobby. A comunidade homossexual brasileira é politicamente alienada. Hoje, graças inclusive às redes sociais, as ideias estão mais espalhadas, os fatos são mais difundidos. Isso não significa um movimento homossexual e sim uma decisão política da comunidade, o que é fantástico.
O GLOBO : Por outro lado, a visibilidade da homofobia aumentou?
JOÃO SILVÉRIO : Com certeza. E era de se esperar a reação. A união estável entre homossexuais não prejudica ninguém, mas existem pessoas, pelos motivos mais diversos, desde ideológicos, psicológicos, sexuais, que se incomodam. Como se estivéssemos tomando o espaço delas. É só ver a bancada religiosa e a CNBB, que acham que realmente alguma coisa muito ruim está acontecendo. Para essa gente ou para gente parecida com ela, alguma coisa muito ruim estava acontecendo quando os negros foram libertados ou quando as mulheres começaram a votar ou quando o divórcio apareceu.
O GLOBO : Assusta ver nas redes sociais, como no Twitter, a expressão de jovens homofóbicos, assim como essa agressão nas ruas ser promovida por gente tão jovem?
JOÃO SILVÉRIO : Me assusta, sim. Acho que as políticas educacionais estão sempre a reboque. As gerações tem de ser educadas dentro de um processo democrático e não um processo democrático “meia boca”. E esse processo tem de pensar as diferenças, todas as diferenças.
O GLOBO : O próximo passo é conquistar a lei anti-homofobia?
JOÃO SILVÉRIO : Certamente.
Disponivel em http://extra.globo.com/noticias/brasil/homossexuais-amam-com-todos-os-direitos-deveres-diz-joao-silverio-trevisan-1769634.html
Jânio Elpídio de Medeiros.
