
Vivo em crise por refletir sobre tudo, então esse blog serve para compartilhar minhas reflexões a respeito da vida.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Protagonismo Juvenil e o professor

quinta-feira, 6 de outubro de 2011
É por isso que sou Professor.




quinta-feira, 25 de agosto de 2011
EJA e o professor de matemática
Partindo da ideia de que “Freire coloca o aluno como sujeito, e não como objeto do processo educativo, afirmando sua capacidade de organizar a própria aprendizagem em situações didáticas planejadas pelo professor, num processo interativo, partindo da realidade desse aluno” o professor pode imaginar como dever ser seu fazer em sala de aula. Das diversas contribuições que Paulo deixa para o professor do EJA, a mais significativa é Saber reconhecer nos alunos do EJA “os saberes construídos pelos fazeres”. Os alunos que compõem o EJA têm muito que ensinar e tendo o professor o seu oficio pautado pela mediação pode aproveitar seus “saberes” e construir num processo reflexivo novos conhecimentos e sistematizá-los. Com esse exercício o professor do EJA possibilita um tipo de ensino onde “O aluno irá compreender que os conhecimentos que vai construir na escola têm relação com os já construídos em sua vida cotidiana e como é útil e interessante relacioná-los e ampliá-los”.
O Professor de matemática pode e dever ter um mínimo de criatividade e com ela proporcionar um acolhimento maduro, mas sem perder o lúdico e o prazer da reflexão partindo dos “saberes dos alunos”. Exemplo: Uma dinâmica com caráter reflexivo onde esses alunos possam falar de forma resumida de suas vidas, socializando suas experiências.
Para permanecer no EJA o aluno necessita ser valorizado e cativado a cada dia, por tanto a escola deveria ter uma “educação com caráter emancipatório, libertador, problematizador da realidade”. O professor do EJA deve ser bem capacitado, e isso é outro tipo de trabalho que a escola pode desenvolver, possibilitando cursos de capacitação e diálogos permanentes para os professores que atuam no EJA.
Em suma, trabalhar no EJA é mais do que um oficio é acreditar que podemos aprender em qualquer etapa de nossas vidas.
Jânio Elpídio de Medeiros, professor de matemática.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Profissão de Fé

Eu tive tudo para não ser professor. Nasci com a alma um tanto alada e, ser professor me obriga a andar com os pés presos ao chão...
Meu pai decidiu, sem consultar-me, que eu seria carpinteiro ou motorista... Nunca disse que não. Apenas achei que jamais me satisfaria à limitação de uma carpintaria ou de um volante e uma estrada.
Resolvi talhar mentes, esculpir atitudes, envernizar corações, lustrar almas, montar futuros, indicar caminhos, apontar direções. De certa forma sou o que meu pai desejou: sou professor.
Sei que muitos de nossos meninos e meninas saem do alcance de nossas vistas sem o brilho ou a polidez necessários porque, muitas vezes, “lixas” e “verniz” estão em falta...
Vinte e cinco anos se passaram desde que resolvi fazer parte da vida destes meninos e meninas que a mim vieram com sede de saber. Vinte e cinco anos que me mostraram a minha verdadeira importância e missão no mundo: ser luz.
Sou professor porque acredito na transformação do ser humano e do mundo. Muitos não acreditam em mim, eu sei. Isto é normal. Nem governos, nem famílias, talvez nem companheiros de profissão. Mas a mim não me importa o crédito alheio. O Mestre dos Mestres ainda hoje desperta interrogações e quase sempre é ignorado e nem por isso deixa de exercer um fascínio sobre a humanidade, mudando-lhe os rumos e as atitudes. Defendo o que penso sabendo que penso para o bem. Defendo minhas convicções não por achá-las melhor do que as de ninguém, mas por achá-las melhor do que a mim mesmo. Afinal, a cada dia preciso estar melhor.
Há exatamente 25 anos pisei pela primeira vez o chão vermelho de uma sala de aula com a curiosidade de uma criança e com a vontade de um idealista. Foram anos de batalhas até contra mim mesmo porque meus conceitos foram sendo transformados por experiências novas.
Sempre fui instigado a conhecer e a desvendar mistérios. Nunca, porém, consegui entender por que a minha profissão é encarada como “biscate” por uns tantos ou como “bico” por outros.
Entre os desgovernos atuais, de total intransigência e desvalorização do magistério, fico a refletir sobre algumas posturas destes homens que também tiveram professores, mas parece que nunca aprenderam o real valor de quem ensina. Esses homens de memórias curtas nunca compreenderam que sem o professor não se abrem caminhos, não se descortinam horizontes, não se chega a lugar algum.
Tudo na educação virou marketing pessoal. É uma verdadeira vitrine de merchandising. A publicidade dos “feitos” dos governos é assustadora. Deveriam ganhar prêmios aos montes nesta categoria. Deveriam levar o troféu “imprensa” da propaganda enganosa. Ninguém faz mais propaganda do que os governos, de suas políticas educacionais, ambientais e outros “ais”. E as escolas continuam sendo alvos de críticas infundadas, seus alunos, frutos forçados, e seus professores, cobaias do sistema.
Recebendo o pouco e irrisório salário, professores sem motivação e sem saída são obrigados a dobras de turnos e de esforços, sobrecarregando-se cada vez mais com “experiências” que nem sempre dão certo. Além disso, são obrigados, pela ausência da família e da sociedade, a serem tudo, menos professores.
A educação nunca prioriza a habilidade, mas escancara as suas portas e, pela mão-de-obra barata, paga mal aos seus servidores, porque professor não é artigo de luxo e se encontra em qualquer esquina.
Nunca se ouviu falar tanto em educação de qualidade. Nunca nossos alunos saíram tão despreparados de nossas escolas. Nunca nossos professores estiveram tão indignados com a sorte (ou azar!) de suas profissões.
Servidores (escravos do sistema!) reivindicam apenas o legal e são escorraçados das praças, muitas vezes agredidos física e moralmente porque não aceitam a condição de servos diante de uma política que nada tem a ver com a vida e a realidade da classe.
O poder público, “deitado em berço esplêndido”, tapa os ouvidos aos apelos de quem dá ao estado e ao país índices (suadíssimos) de proficiência.
Apesar disso, sou professor e me orgulho de sê-lo. Tenho fé na possibilidade de um mundo melhor pela educação. Não posso me sentir desencorajado porque ao meu lado caminham homens e mulheres descrentes. Como homem, sou frágil, sujeito a reboque vez ou outra. Acredito na minha força enquanto educador porque acredito na força transformadora que o conhecimento traz.
O ser humano só pode ser educado por pessoas que foram também educadas. Infelizmente, nem todos tiveram essa sorte.
Fábio Gonçalves,
professor e escritor, Água Boa (Claro dos Poções) - MG.
Endereço eletrônico: fabioaguaboa@r7.com
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